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  1. O mundo das mãos imateriais e comuns

    Um estudo sobre a performatividade das mãos nos modos como apreendem o mundo e como o mundo as apreende. Desde a gestualidade ao funcionalismo, as mãos imbuem-se de frases performativas em diversas narrativas que irão desnovelar-se pelas pessoas e produzir relações com objectos, pessoas e abstrações. Todo o processo coreográfico é conduzido pelas mãos através de processamentos visuais e verbais de construção e desconstrução de acontecimentos performativos.

    O processo incide numa zona mecânica e processual onde se irá desvelar a partir de um catálogo de gestos de mãos do cinema e do nosso quotidiano comum. As situações são propostas para revelar diferentes perceções de como as mãos estruturam intenções de convite, reconhecimento, provocação, intimidação, etc.

    O cinema de Robert Bresson é aqui referenciado nesta experiência devido à natureza quase ritual e minimal de como ele trabalha com a gestualidade das mãos. Os movimentos das mãos em Bresson são constantemente desprovidos das intenções do actor para que este não tenho controle no que está a projectar na sua representação. Deste modo, Bresson interessava-se em esvaziar os gestos das representações associadas para poder ampliar o espectro de leituras do que o espectador está a ver. Era a partir de ações mecânicas e irreflectidas dos gestos que Bresson estava mais interessado para a revelação de atmosferas emocionais.

    Nesta instalação, nós aplicamos este mesmo método com instruções precisas para possibilitar que a performatividade das mãos não seja reflectiva mas sim, actuante. Do íntimo ao público, esses gestos podem ser funcionais, expressivos, médium de uma linguagem, tacteantes e motores de sensações.

     

    Conceito & Instalação Jorge Gonçalves

     

    Exposição 28 Maio 2017, Centro Negra, AADK Espanha, Blanca (ES)